O que é ter QI hoje?

Curiosidade, investigação, espírito crítico, sensibilidade aguçada, energia nos estudos, por aí vai, é difícil sacudir elementos da inteligência no universo do “tudo pronto”, do “descartável”; é difícil encontrar ousadia com sabedoria.

É uma tecnologia que não abre espaço para erros – ela acusa, vibra, apita, impede continuidade do uso, impõe correção. O “tudo pronto, modelado e vigiado” corta erros que poderiam transbordar em gloriosos acertos, a exemplo de muitas invenções que marcam a humanidade; corta a dinâmica de erros…acertos…acertos…erros… tão corriqueira ao progresso individual ou coletivo – quem nunca ou pouco errou nada aprendeu ou evoluiu. Uma tecnologia que corta impulsos que invadiriam o terreno da especulação, divagação, do frenesi criativo.

Essa ditadura da automação asfixia a criatividade, pelo menos a que sairia da inteligência como permanece definida nos dicionários e em vida nas nossas mentes. O excesso da automação faz nascer a sociedade… automática! A da ação-reação onde eu incluiria: ação-reação-padrão (travada e repetitiva). Chega a ser engraçado o silêncio quando falo que precisamos voltar a usar a inteligência.

Nunca o homem teve tamanha riqueza de informações (áudios, vídeos, textos e imagens) à disposição, igualmente nunca teve enquadramento tão bloqueador: “É só buscar na internet”; “O programa faz para você”; “Pesquise e deixe tudo numa pasta”, “Entre aí e veja”.

Pequenos grupos de talentos tecnológicos em startups e empresas de TI criam soluções, colocam-nas em softwares e aplicativos, os bilhões de usuários passam a conviver, então, através de tais soluções. Elas são inteligentes, preveem as dúvidas, realmente são “resolvedoras” e fazem as pessoas serem automáticas: para o que pessoa e grupos precisam, soluções acontecem de software em software, de aplicativo em aplicativo, via internet das coisas ocorrem as interconexões por sensores entre aparelhos digitais e convencionais, sem interferências e empenho humano. Exemplo:
“Vou ver se está aberto tal restaurante, se não estiver vou buscar outras opões; vou ver como chegar, chamar transporte, convidar amigos, ao sair de casa ligarei o alarme. Ih! Próxima semana é o aniversário da minha amiga, pedirei flores”.

Tecnologicamente, você entrou no site do restaurante, que mostrou as dependências, cardápio, estacionamento e reservas, ali mesmo na janela Google viu endereço e opções em mapa, chamou Uber ou táxi, você acionou convites por WhatsApp, alarme junto à empresa de vigilância por monitoramento e fez pedido numa Flores On Line.

Simples assim, o que também funciona para soluções médias e complexas: objetivos resolvidos pela sequência de softwares e aplicativos, e cadê o esforço mental, o uso da inteligência?

Huummmmm… quando começar a ser solicitada, os talentos tecnológicos idealizarão novos programas para que entrem todos usuários num padrão.

Este cenário permanecerá da criança ao idoso. As máquinas decidem, ultrapassam o homem num gigantesco Big Data (interconexões e gestão de dados em larga escala).
Pais ficam orgulhosos diante da “inteligência” das crianças e adolescentes, porém, na verdade, nada mais fazem do que reproduzir ideias formatadas nos comandos dos computadores e mídias – “repetências” e não competências. Marco memorável foi a vitória do Deep Blue-IBM contra o Campeão Mundial de Xadrez Gary Kasparov, em 1997. Assombroso ver o gênio russo derrotado em partida contra o programa de computador. Acontecimento memorável: 1º alerta sobre efeitos dominadores da inteligência artificial na prática; no meio científico, fato foi considerado “indiscutível e preocupante triunfo da máquina sobre o cérebro”.

E os robôs se superam, em 2017 um deles venceu o jovem, Danil Ishutin, melhor jogador do game Dota 2, jogo que simula situações de uma guerra real.

A tecnologia robótica e sistemas inteligentes se espalham. Em reportagem do jornal O Globo, cientistas fazem previsões para avanços tecnológicos que podem superar o controle humano. Em 2008, no jornal inglês Financial Times, foi publicada notícia sobre a exposição de robôs no Museu de Londres. No término da leitura, a pessoa se sente burra diante do que a sua espécie criou. A multitevê, o ilimitado celular são estrelas da primeira década do milênio, unem todos os conteúdos, são interativos no atendimento aos telespectadores e usuários. Magistral pique do entretenimento, dos negócios e do consumo; lamentável promoção da obesidade, violência e padronização comportamental.

Nas empresas foi aberto fosso entre a geração que encontra barreiras para se replanejar sob a pressão digital (antes-90) e a geração que não consegue pular das soluções pontuais para as estruturais (Ver capítulo Natalidade humana x Natalidade tecnológica); nas escolas, o fosso fica entre a pedagogia ainda baseada na leitura-escrita-diálogo e a geração dos atalhos e do copiar-colar (reproduções digitais).

A inteligência in natura, no conceito original hiberna, e fica a pergunta: o que é ter QI hoje?

Iniciar agora o resgate da capacidade criativa com a sua cara é resposta genial!

José Renato de Miranda . Consultor
www.consultoriadeimpacto.com.br / www.empresafamiliarconsultoria.com.br

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