Gestão da Correria: resultados com menos retrabalhos, desperdícios saúde em dia

Na área profissional, este consultor criou um método de gestão dirigido para empresas brasileiras (www.consultoriadeimpacto.com.br) a partir do comportamento, do jeito de ser dos empresários e personagens que o acompanham: diretorias, gerências, chefias, equipes, clientes, fornecedores e, em empresas de maior porte, incluídos conselheiros e acionistas. O método deu certo, particularmente para empresas familiares, onde saber lidar com o fator comportamental é peça-chave, é vital por causa da intensidade dos conflitos entre gerações, das emoções, sentimentalismos e quase incontrolável informalidade.

Na trajetória com mais de duas décadas de implantações do método em consultorias, em projetos, do conteúdo em cursos e palestras, hoje são fartas as experiências, as constatações sobre a forma como são conduzidos os negócios, as rotinas, as atitudes, posturas; como que as pessoas pensam, agem, relacionam-se tanto dentro como fora da empresa; enfim, como dançam no dia a dia do trabalho conforme a música que o mercado e a vida tocam.
A Gestão da Correria surgiu em cima de uma das constatações, acabou por se tornar eficiente aperfeiçoamento do método que, acredito, irá fazer você rever a sua pressa e frear a correria. Vamos lá, confira.

Em reunião de Conselho de Gestão numa empresa, visivelmente exausta, uma das diretoras fez comentário sobre o cansaço devido à efervescente dinâmica das atividades profissionais. Reclamou da velocidade, quantidade de informações e da raivosa competição. Na mesma semana, a revista Época publicou reportagem de capa com título:

DESACELERE
As vantagens de saber esperar num mundo dominado pela pressa

O cansaço daquela diretora é ou vai ser o de tantos outros que passam de certo volume de atividades e responsabilidades, de dedicação ao negócio. No mercado atual, quando chegamos a este “certo volume”, vem o pior: a tecnologia digital o multiplica com total facilidade e a tendência é transbordar em desgastante estresse da diretoria até as equipes.

Para qualquer assunto, dos simples aos complexos, dos pessoais aos profissionais, a tecnologia produz desdobramentos rápidos, são reflexos em escalas. Daqui-dali-de lá surgem as informações indiretas ou paralelas, que nada tem a ver com aquele “certo volume”, mas que você precisa dar atenção, retorno, decidir, expressar-se de alguma maneira.
Neste ritmo, começa a perder o domínio sobre o seu tempo, porém, luta para mantê-lo, e aí é que entra o fato traiçoeiro: a capacidade da tecnologia de articular as informações passa a ilusão de que você tem condições de administrar, de tratar do tal volume, do excedente e ainda corresponder a tudo e a todos acima do que realmente pode.
Humanamente, é impossível, não temos a velocidade que a tecnologia impõe, que nos pressiona, o sistema de funcionamento do corpo humano está anos luz atrás do digital, e para darmos conta desta aceleração… teríamos que ter funcionamento robótico! Mas a danada da tecnologia nos passa a nítida ideia de que podemos, e aí batem as frustrações com seta de indicação para a depressão.

Como acréscimo, junto às atividades e responsabilidades de trabalho e os seus desdobramentos, precisamos levar em consideração que há também a vida social, familiar, pessoal e física a ser cuidada, igualmente os pedidos de atenção, carinho e retornos com quem convivemos. Observe:

As pessoas vitoriosas crescem como profissionais e empresárias e, assim, em paralelo, crescem os assédios em solicitações na vida familiar e social – as asas e pessoas embaixo delas aumentam com o sucesso!

Então, diante dos compromissos de trabalho e particulares acelerados pela tecnologia, o(a) empresário(a) começa a cometer erros ingênuos, diminui o uso da inteligência, precipita-se nas avaliações de mensagens, de relacionamentos, dos contatos, planos, não abre tempo para pensar em estratégias, e o estresse toma conta porque os retornos dos outros dirigentes, das gerências, chefias, equipes, dos clientes e fornecedores ficam tão ruins quanto ao tratamento dado por ele(a) próprio(a) no início. A falta da consistência por causa da correria causa estragos em retrabalhos, perdas de clientes, furtos, conflitos familiares, compras mal cotadas, fadigas físicas, emocionais, saúde abalada etc. Perde a base do comportamento que o(a) fez bem-sucedido(a) no começo da sua trajetória. Resumo dos efeitos assistidos nas empresas:

Ilusão do lucro
Preço formado para venda de determinado produto ou serviço foi corroído pelas falhas e retrabalhos – imagine o efeito no conjunto?

Prejuízo invisível
Corriqueiras divergências, desgastes internos (equipes) e externos (clientes) que, acumulados, botam morro abaixo os resultados e as conquistas somadas ao longo dos anos – vira alegria dos concorrentes.

Pouso forçado
Afastamento ou pedido de licença para se recuperar dos problemas no corpo e na mente causados por correria que nenhum ser suporta. Sofrerá o burnout, o esgotamento profissional com “prisão domiciliar”: descanso obrigatório, fileiras de remédios e controladas refeições.

Logo, se a pessoa não parar para cuidar da saúde, a saúde para com ela, cai a qualidade do que nos move: sucesso-emoção-motivação. Aí, você terá que rever a importância da família, da calma para alimentação, das horas de sono, do lazer para a mente e da ginástica para o corpo. Rever o sucesso com o desgosto de um retrocesso*
*(Marilene Lopes, Professora da PUC-RJ e ex-Executiva da Coca Cola, sofreu o drama e publicou livro-depoimento Antes que seja tarde).

Precisamos domar a velocidade, colocá-la a nosso favor no trabalho, seja qual for a posição e a função. É simples? De maneira alguma, se tentar simplificar pior fica… Trata-se de exercício profissional e pessoal de acordo com o que você quer como qualidade de trabalho (pequena, média ou alta competência), de poder (ascensão e dinheiro com ou sem limite?) e de vida (maior ou menor atenção aos familiares, amigos e lazer?).

Vale ressaltar que, a todo momento, fazemos escolhas, sejam corriqueiras – “O que vou comer?”, “Abasteço o carro agora ou depois?”, até às complicadas – “Separo ou não?”, “Permaneço no emprego?”, “Abro filial?” etc.
Para tomar atitude diante das opções, antes da Era Digital a pessoa sofria poucas e até previsíveis interferências do mundo exterior. Saía do escritório e, de fato, encerrava o expediente, parava o trabalho.

Este quadro foi alterado com a desenfreada estimulação, com a pressão da sociedade e do corporativo digital, em particular, nas empresas familiares pelo calor do clima doméstico, íntimo, emocional e diferenças entre gerações. Depois da invenção dos smartphones, dos aplicativos para comunicação e soluções diversas, ficou difícil deixar o trabalho na empresa, manter a agenda com separações de assuntos, de objetivos numa linha estritamente empresarial, com o foco ajustado no que lhe interessa como profissional, como pessoa e como família*.
*(Foram lançados aplicativos para bloqueio de aplicativos e sites – Self Control, Anti Social e LeechBlock, com objetivo de impedir acesso ao que distrai, ao que tira atenção no trabalho. Fácil prever: veem aí os aplicativos para desbloqueio destes…)

Daí, voltou a moda da “administração do tempo”, da busca de orientações sobre como resolver a “falta de tempo”, o “não consigo ter tempo nem para mim”, “é só correria”. As orientações em geral são boas, mas produtivas para o mundo anterior à Era Digital. Hoje, elas são algo burocrático, fraco diante da pressão. Apenas vão ser úteis caso, primeiro, a pessoa dê um tranco na velocidade, na correria imposta pela hiperestimulação provocada por equipamentos digitais, especialmente celulares e cia.

É preciso, de forma abrangente, bem decidida, adotar comportamento que tenha início pela Gestão da Correria. Criei este termo quando vi que, nem a agressividade do meu método para manter diretores no foco das vitais atividades, funcionava com a devida força dirigida para os resultados. Dispersões começaram a ser inevitáveis, por que? As inovações, em específico, as trazidas pelos smartphones e pela tecnologia Streaming* massificaram estímulos para que a atenção se voltasse para equipamentos tecnológicos. Vídeos, áudios e fotos antes pesadas, emagreceram, ficaram leves para acessos em aparelhos dos menos aos mais potentes. Aplicativos de mensagens ganharam gigantesca presença – centro das atenções.

Streaming

Tecnologia que torna ultra rápido e leve o fluxo de informações, dados e conteúdos multimídia. Viabilizou filmes e jogos em tempo real em aparelhos até de baixa potência. Exemplo de streaming: Youtube e NetFlix (Dados com base no site www.significados.com.br

Estas novidades sacudiram as empresas, aumentaram excessivamente as dispersões internas pelos acessos a sites, aplicativos, redes e mídias sociais. Repentinas idas a banheiros, corredores e “já volto” viraram rotina, polêmicas, desentendimentos nas relações de trabalho.

Daí, a Gestão da Correria se tornou um oportuno, estratégico aperfeiçoamento do método. Foi mantida a meta de agressividade nos pontos vitais. Segue a linha do Egoísmo Saudável, faz com que a diretoria canalize fortemente as atenções para os pontos em que a empresa jamais pode errar e para pontos em que acerta e precisa dar sustentação contra imprevistos.

A Gestão da Correria une empresário-negócio-profissão dentro do que verdadeiramente importa e traz a tecnologia como recurso. Passa a administrar, assim como, a submeter o tempo a ele. Reaprende a frear-acelerar na velocidade que deseja, a gerar soluções para amanhã que precisam de decisões hoje
O trabalho, o sucesso e o dinheiro dão prazer quando a vida fica sob o SEU controle.

José Renato de Miranda . Consultor
www.consultoriadeimpacto.com.br / www.empresafamiliarconsultoria.com.br

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