A família tem que trabalhar para a empresa, e não o contrário

A tendência para uma profunda, urgente revisão nas empresas familiares é mundial, é intensa devido à brutal competição disparada pela Globalização. As alternativas são nítidas, de extremo: céu (a família trabalha para a empresa), inferno (a empresa trabalha para a família). Sucessão, formato de trabalho, capacidade, remuneração, novos parentes, desemprego, concorrência… Há emaranhado de fatos a ser destrinchado e ajustado para se dar rumo à empresa familiar.

Segundo o consultor Ivan Lansberg, entre 70 e 85% das empresas no planeta são familiares. No Brasil, pelas estatísticas do Sebrae a porcentagem é de 73%. Conforme apuração do IBGE, 50% do PIB estão concentrados nestas empresas. Nos EUA, 110 universidades têm cadeira com graduação em negócios com esta particularidade. Ganham assiduidade eventos que abordam ou que são dirigidos para o tema.

Obrigatoriamente, a família tem que limitar na empresa as interferências de parentes, misturas de ambientes, de assuntos, ranços domésticos e adotar, de forma terminante, um padrão de gestão e profissionalismo. Não é tarefa simples, em especial num país onde a cultura empresarial é baixa e a população é emocional-informal. Pelas próprias raízes, pelo jeito e jeitinho de ser do brasileiro, questões familiares afloram com facilidade até mesmo nos horários exclusivos de trabalho.

Hoje as famílias precisam cortar os efeitos destas raízes, estão sem saída. É inadiável a adaptação dos seus negócios às regras do mercado escritas com a tinta da competição. Não há espaço para todas as empresas e nem para todos os profissionais; negócios e pessoas disputam posições acirradamente; a empresa tem que superar concorrentes pela competência e os parentes necessitam dar segurança às suas vidas dentro das próprias lojas, indústrias ou escritórios. Em síntese, a empresa da família tem que ser também empresa do mercado para a sobrevivência coletiva!.

A única solução é estabelecer um Acordo Empresarial-Familiar para dar sólido destino, para conscientizar, extinguir desgastes familiares que contaminam equipes, clientes e fornecedores. Não adianta resolver relações familiares sem gestão eficiente na empresa, assim como não adianta resolver a gestão sem ajustar relações familiares. O Acordo garante o negócio, previne possíveis discordâncias domésticas, já que inclui definição de metas pessoais e profissionais de cada um, visão e interesse na empresa, formato de trabalho (função, expediente, remuneração, férias…), reuniões vitais e estruturais, sistema de admissão, em suma, o Acordo é personalizado segundo a loja, indústria ou escritório.

Estatísticas do IBGE revelam que a cada 100 empresas familiares, 30 chegam à 2ª. geração e só 5 alcançam a 3ª. geração. Não informam como sobreviveram… A complexidade para se manter neste segmento em meio a alta competitividade é que leva instituições empresariais a se dedicarem ao tema.

Se a solução da empresa familiar é motivo de segurança para parentes que já estão no mercado, imagine o que representa para as novas gerações, que chegam espremidas pelo desemprego e angustiante dificuldade para achar horizontes. É enorme a responsabilidade de quem está à frente deste tipo de empresa, uma vez que passa também a ter vínculos com o amanhã dos herdeiros, parentes e de outras pessoas que estão na sua estima e mexem com o seu coração.

José Renato de Miranda
rdemiranda@consultoriadeimpacto.com.br 
www.consultoriadeimpacto.com.br / www.empresafamiliarconsultoria.com.br

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