EF: união da experiência com a modernidade

Novas gerações estão espremidas pela falta de emprego e de perspectivas. Nascem pessoas, nascem máquinas, que vão tirar espaços das pessoas. Esse quadro é irreversível. Esqueça discursos de políticos sobre “queda do desemprego” e de tecnólogos sobre “novas oportunidades do mundo digital”. Pare, olhe em torno e faça fria reflexão, concluirá que não há mais espaço para todas as empresas nem para todas as pessoas.
Esse ambiente gera efervescente competição, atinge em cheio a empresa familiar. Pesquisas indicam elevada mortalidade na passagem da primeira para a segunda geração e só 5% chegam à terceira. Mas é viável a guinada nesses índices com superação dos problemas e futuro feliz. A empresa familiar pode ser administrada com união e eficiência a partir do orgulho de se ter negócio próprio, vencedor, e comprometimento pelo sangue.
Imprescindível é a convicção sobre as obrigações empresariais exatamente como elas transcorrem no mundo dos negócios e não na vida doméstica. Pensar na empresa da família como empresa do mercado para que possa dar retorno em realização profissional e remuneração para todos. Se se coloca a empresa para trabalhar para a família, e não a família para a empresa, ocorre o inverso: frustração profissional e dívidas para todos.

Três ações essenciais para a demolição das dificuldades e a construção sólida:

1. Princípio. Absoluta consciência de que parentes devem agir acima dos elos pessoais e ancorados nas condutas empresariais. Durante o expediente, mais produção, menos acomodação; mais razão, menos emoção; mais profissionalismo, menos tolerância com interferências domésticas. Tais interferências, e não a gestão, afundam 65% dessas empresas.

2. Parentes. A entrada e a evolução do parente na empresa se refletirão em seriedade e resultados, de fato, comerciais. É preciso diálogo e teste para avaliar dom, currículo e habilidades; para esclarecer a respeito da filosofia, deveres, metas e distinção trabalho-família. Ajudar o parente a se questionar, treiná-lo, dar explicações sobre a empresa e ajustar função-competência. Falta de diálogo e de postura é a primeira semente para conflitos e desgastes; se houver, é a primeira para consistente sucessão. Parente admitido com análise de perfil e critério surpreende no desempenho. Age com personalidade, como “profissional que poderá vir a ser chefe”, e não como “alguém que entra para ajudar ou por falta de opção”. Conquista respeito da equipe pelo que realiza, e não pela origem pessoal. Inicia aprendizado para funções superiores.

3. Gestão. A distância entre gerações antes e pós-90 é improdutiva. Uma quer manter certos padrões e a outra, botar velocidade. Escutam-se frases como: “Isso é com meu filho, não me meto”; “Esse assunto é do meu pai”. É preciso somar: uma geração tem bagagem, vivência de mercado e ação estrutural; a outra está tecnologicamente atualizada e tem ação pontual. A autonomia é necessária, mas não na distância que abra um fosso e acabe por sugar a empresa. A soma é o caminho para a descentralização segura, para um dia-a-dia com relações profissionais separadas das familiares. Esse tripé viabiliza a eficiência: parentes profissionalmente conscientes e preparados, gerações empresarialmente integradas. Dá energia à empresa hoje e sustenta vôos futuros, sem escalas para concorrentes.

José Renato de Miranda
rdemiranda@consultoriadeimpacto.com.br 
www.consultoriadeimpacto.com.br / www.empresafamiliarconsultoria.com.br

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